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não sabes como vais morrer

Conversa com o autor, Jaime Froufe Andrade

, 17 setembro 21h30 entrada livre





















Depois da leitura parcial partilhada em voz alta de Não sabes como vais morrer pela dezena de participantes nas Palavras ao Alto do dia 3, o autor, Jaime Froufe Andrade, volta à CasaViva esta terça-feira, 17 de setembro, para conversar sobre a guerra que viveu em Moçambique nos idos anos 60.

NÃO SABES COMO VAIS MORRER, 7 mais 1 histórias de guerra e regresso atribulado no Vera Cruz, da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, é o livro do mês de setembro da Biblioteca da CasaViva. Lançado em 2008, vai na 5ª edição.



Histórias de guerra contadas 40 anos depois, testemunhos de “como difícil é esquecer”. Porque, ao contrário do que estabelece a História, a guerra colonial não terminou em 1974. Em rigor, escreve Jaime Froufe Andrade, a guerra colonial continua a impregnar o nosso tecido social. “Lavra, noite e dia, sem descanso, no corpo, no espírito de quem a fez.”


lançamento do Lápis Desafiado 2

16 setembro 21h30 entrada livre

 

















Fartos de estarem imóveis e pontiagudos, esquecidos nos copos e nos estojos, em casas, malas, gavetas e papelarias, os lápis começaram a responder a desafios e descobriram que podiam ter uso. Puseram-se primeiro a escrever. E nasceu o Lápis Desafiado nº 1, um conjunto de quinze textos de não-escritores, pessoas que gostam de escrever.

Agora, a partir desses textos, surgiram desenhos e colagens, feitos por grandes e pequenos, mouros e morcões, todos e qualquer um. Está cá fora o Lápis Desafiado nº 2, o resultado desta arte sem artistas.

No dia 16 de Setembro, segunda-feira, este novo número, que traz já um novo desafio, vai ser apresentado na CasaViva (Porto), às 21h30. Há chá, bolinhos, conversa e outras formas de brincar com palavras.

No domingo seguinte, 22 de Setembro, a apresentação é na Casa da Achada (Lisboa), às 18h, onde também vão estar expostos os originais que deram origem a este conjunto de imagens.

Toda a gente é bem-vinda. A vir à CasaViva, a vir à Casa da Achada, e a responder ao terceiro desafio...

domingo, 22 setembro 18h00 – Casa da Achada, Lisboa


palavras abaixo

, 10 setembro 21h30 entrada livre

















A única acumulação válida são as palavras, porque deixam rastos etéreos!
Glutonas e glutões, todas pessoas sedentes de leituras, encontram-se uma noite de Setembro para ler qualquer coisa, ou uma coisa qualquer.
Vem vadiar na biblioteca da casa, traz as tuas leituras, traz as tuas palavras para um banquete gourmet de bocas cheias.
Vamos lá «shake the pear»*! E «merdra»* são tantas as palavras!

*duas referências a Alfred Jarry, já que aparece a imagem do Rei Ubu no cartaz.

livro do mês de setembro

Não sabes como vais morrer, de Jaime Froufe Andrade

3 setembro 21h30 Palavras ao Alto
17 setembro 21h30
conversa com o autor


Por que um livro também respira, volta e meia a Biblioteca da CasaViva destaca um exemplar de uma das suas prateleiras e chama-lhe “livro do mês”. NÃO SABES COMO VAIS MORRER, 7 mais 1 histórias de guerra e regresso atribulado no Vera Cruz, de Jaime Froufe Andrade, colecção Memória Perecível, da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, é o livro de Setembro. 5ª edição recentemente oferecida pelo autor, alferes miliciano ranger combatente em África entre 1968 e 1970 numa guerra que não era a sua.



O livro do mês de Setembro, acessível à entrada da biblioteca, provocará dois momentos de convívio: Palavras ao Alto – leitura partilhada da obra, no dia 3, terça-feira; e, duas semanas depois, a 17, conversa com o autor, Jaime Froufe Andrade. A começarem pelas 21h30.


“A manhã vai a meio. E eu, a meio de outro uísque.” Nessa manhã, 17 de Setembro de 1968, o alferes Andrade não estava na escala de serviço operacional, estava bem disposto. “Estamos na tórrida África, é preciso beber. Sentado numa cadeira feita de ripas de caixotes de sabão, obra do soldado Melo, carpinteiro na vida civil, vou deixando correr o tempo.” Vê chegar um estafeta apressado. Não demora a ser chamado ao posto de comando e depressa recebe ordem para ir rapidamente atacar uma base. “Outra surpresa; não levarei o meu grupo de combate. Comandarei um outro. Com esse farei o golpe de mão! Na tropa, ordens são ordens. Calei-me. Manda quem manda porque manda | nem importa que mal mande ou mande bem, Fernando Pessoa bem tinha avisado." O que não sabia o alferes Andrade é que o desenrolar dessa manhã o acompanharia o resto da vida, ao som da marrabenta que tocava no rádio portátil de um guerrilheiro da Frelimo feito prisioneiro.

O rádio portátil é a primeira história deste livro, entretanto abordada numa conferência na Biblioteca Museu República e Resistência, em Lisboa, que lhe deu particular projecção. Com mais ou menos projecção, são oito histórias de guerra escritas 40 anos depois, testemunhos de “como difícil é esquecer”. Porque, ao contrário do que estabelece a História, a guerra colonial não terminou em 1974. Em rigor, escreve Jaime Froufe Andrade, a guerra colonial continua a impregnar o nosso tecido social. “Lavra, noite e dia, sem descanso, no corpo, no espírito de quem a fez.”

O livro termina com uma nona história, um agitado episódio da viagem de regresso de Moçambique a Portugal, em 1970, a bordo do navio Vera Cruz, sobrelotado com três mil militares.

Jornalista profissional, Jaime Froufe Andrade nasceu no Porto em 1945.

Palavras ao Alto: cidades e hortas

, 30 julho 21h00 entrada livre

















As hortas urbanas são espaços de Liberdade 

Há muito que sabemos que é preciso reinventar a cidade! É preciso, é urgente criar elos profundos entre as pessoas e os espaços que habitam. Temos verificado que é na cidade que se revelam as extremas situações de pobreza em torno de uma necessidade básica: a alimentação. 

Por outro lado, temos assistido aos recorrentes ataques brutais dos poderes autárquicos a projectos comunitários autogestionados, tal como aconteceu na Horta do Monte, em Lisboa, a 25 de Junho 2013. Noutro contexto, no Porto, a Horta Quinta Musas da Fontinha corre o risco de expulsão. 

Neste sentido, Palavras ao Alto propõe uma variedade de leituras para discussão: desde textos clássicos sobre jardins idílicos, passando pela poesia, a prosa, a arquitectura e testemunhos recentes do sucedido na Horta do Monte. As hortas urbanas constituem um instrumento de luta pela auto-suficiência dos habitantes das cidades, pela reconstrução do espaço social e pela reconfiguração humana da cidade! 

Uma população concentrada nas cidades

Com o pacto transatlântico (só mais um novo projecto neoliberal) a ser congeminado entre os EUA e a UE, à revelia dos povos de todas as regiões da UE (e provavelmente dos EUA), mas na miragem da criação de empregos, isto sem ter em conta as revelações assustadoras que o dissidente e apátrida Edward Snowden trouxe ao conhecimento de todos, os novos contornos da já efectiva perda de soberania dos países membros da UE e, consequentemente, do desrespeito pelas suas populações ganha outras dimensões. Este pacto envolve principalmente questões comerciais e financeiras, entre as quais se encontram provavelmente a questão do uso livre das sementes e a respectiva «ofensiva comercial» da Monsanto. 

Podemos facilmente ligar estas manobras ao relatório que o NIC (National Intelligence Council) entregou a Obama, no início do seu novo mandato na Casa Branca, que, pelo que nos diz I. Ramonet, se torna o «documento de referência para todas as chancelarias do mundo», apesar de ser uma interpretação segundo os interesses dos EUA. Neste relatório, um ponto em particular chama a nossa atenção: a previsão de que, em 2030, 60% da população mundial viverá em cidades. Assim sendo, perspectivando próximas acções, propomo-nos a ler, pensar, debater esta questão das hortas urbanas. 

Palavras ao Alto: as cidades e as hortas

sábado, 20 julho, a partir das 16h00 no Moinho
 


















As hortas urbanas são espaços de Liberdade 

Há muito que sabemos que é preciso reinventar a cidade! É preciso, é urgente criar elos profundos entre as pessoas e os espaços que habitam. Temos verificado que é na cidade que se revelam as extremas situações de pobreza em torno de uma necessidade básica: a alimentação. 

Por outro lado, temos assistido aos recorrentes ataques brutais dos poderes autárquicos a projectos comunitários autogestionados, tal como aconteceu na Horta do Monte, em Lisboa, a 25 de Junho 2013. Noutro contexto, no Porto, a Horta Quinta Musas da Fontinha corre o risco de expulsão. 

Neste sentido, Palavras ao Alto propõe uma variedade de leituras para discussão: desde textos clássicos sobre jardins idílicos, passando pela poesia, a prosa, a arquitectura e testemunhos recentes do sucedido na Horta do Monte. As hortas urbanas constituem um instrumento de luta pela auto-suficiência dos habitantes das cidades, pela reconstrução do espaço social e pela reconfiguração humana da cidade! 

Uma população concentrada nas cidades

Com o pacto transatlântico (só mais um novo projecto neoliberal) a ser congeminado entre os EUA e a UE, à revelia dos povos de todas as regiões da UE (e provavelmente dos EUA), mas na miragem da criação de empregos, isto sem ter em conta as revelações assustadoras que o dissidente e apátrida Edward Snowden trouxe ao conhecimento de todos, os novos contornos da já efectiva perda de soberania dos países membros da UE e, consequentemente, do desrespeito pelas suas populações ganha outras dimensões. Este pacto envolve principalmente questões comerciais e financeiras, entre as quais se encontram provavelmente a questão do uso livre das sementes e a respectiva «ofensiva comercial» da Monsanto. 

Podemos facilmente ligar estas manobras ao relatório que o NIC (National Intelligence Council) entregou a Obama, no início do seu novo mandato na Casa Branca, que, pelo que nos diz I. Ramonet, se torna o «documento de referência para todas as chancelarias do mundo», apesar de ser uma interpretação segundo os interesses dos EUA. Neste relatório, um ponto em particular chama a nossa atenção: a previsão de que, em 2030, 60% da população mundial viverá em cidades. Assim sendo, perspectivando próximas acções, propomo-nos a ler, pensar, debater esta questão das hortas urbanas. 

Este Palavras ao Alto é um dos ingredientes da Festa do Moinho 2013 (em Silvalde, Espinho). Programa aqui.

Para encontrares o caminho para o Moinho, segue até à Igreja de Silvalde, desce a Rua do Figueiredo e vira à direita depois da ponte. Mapa

Vai de bicicleta, leva tenda... e ingredientes para a pizza no forno a lenha :D 

filme sobre jogos de poder anuncia livro do mês

Os livros também têm vida e vontade própria e de vez quando, lá pela Biblioteca da CasaViva, há um que com mais vontade salta de uma das prateleiras. Este mês, junho 2013, saltou "O Ministro da Felicidade Memórias de um Revolucionário Arrependido", de José Luís Félix.


O Ministro da Felicidade é uma comédia hilariante que põe a rídiculo os "revolucionários" reformados e arrependidos que enxameiam o nosso universo lusitano. É uma paródia aos petulantes engravatados que engordam à conta da democracia e se alinham na costumeira romaria nacional do "voto popular".

É assim que se apresenta o pŕoprio livro na contracapa e prefácio. É a história na primeira pessoa de um personagem (ex)revolucionário que, agora ministro, se vai lembrando dos tempos da revolução e do PREC enquanto se encaminha, com a mulher e motorista, para o Palácio da Ajuda, em Lisboa, onde vai discursar. 

sábado, 15 junho 21h30 entrada livre
...iniciamos a visita a este "livro" com o filme:

 






















L’Exercise de l’État  (115')
Francês, com legendas em Português



Acordado a meio da noite para reagir face a um terrível acidente rodoviário, o mnistro dos Transportes vê-se envolvido em intrigas de gabinete e lutas de poder. De repente tudo se encadeia num mundo complexo e hostil.

Palavras ao Alto insurgem-se com pesadelo global



















Quis o acaso que um autocarro esbarrasse contra o abrigo da paragem em frente à CasaViva, para que fosse criado cenário que ilustrasse a "nova cortina" exterior que a fachada da casa recebeu. 

Tudo isso aconteceu ontem, 11 Junho 2013. O primeiro momento, por acidente. O segundo, a faixa Sonho do G8, pesadelo global, em solidariedade com quem luta, por estes dias, contra o poder e a repressão. Na Turquia, ou na contestação ao G8.

A sessão solidária continua na próxima  6ª, 14 junho, entrada livre

20h00 Palavras ao Alto com «chouriço vermelho que sabe a sabão e dá diarreia»

22h00 Conversa petiscada

As palavras que saírem no meio duma jantarada anti-capitalista, para a qual se pede que cada um contribua (com alimentos prontos a comer e vegetarianos) conforme as suas possibilidades para que todos comamos de acordo com as nossas necessidades.

livro do mês na feira do livro anarquista

sábado, 25 maio 19h00 entrada livre
Feira do Livro Anarquista, Lisboa

Come Hell or High Water,
de Delfina Vannucci e Richard Singer (AK Press, 2010)

Porque um livro também respira, a Biblioteca da CasaViva destaca um livro mensal. Este mês, maio 2013, saltou de uma prateleira Come Hell or High Water, de Delfina Vannucci e Richard Singer, que será apresentado na Feira do Livro Anarquista.

Da subversão premeditada da autogestão aos problemas tradicionais de qualquer colectivo, tantas vezes surgidos de atitudes inconscientes que se carregam do “mundo real”, este livro debruça-se sobre as razões pelas quais, normalmente, os processos colectivos correm mal.

Editado pela AK Press, também ela um colectivo que funciona em autogestão, o livro Come Hell or High Water fala-nos das belezas e dos limites do consenso, ajuda-nos a identificar sinais de perigo, lembra-nos as tácticas de subversão dos processos igualitários, aborda as lideranças informais mas efectivas e alerta-nos contra a indefinição.

Mas, mais do que uma visão negativa das possibilidades de organização autogestionária, quer-se pensar em formas de fazer a coisa funcionar. Imprescindível para gente que se organiza para construir um outro mundo. Pelos alertas, pelas propostas, por essa capacidade de pôr em palavras o que já muitos sentimos e, sobretudo, por não se esquecer de que a forma como nos organizamos é, ela própria, um reflexo desse outro mundo.

Lápis Desafiado 1

, 15 maio 21h00 entrada livre

















Será uma rotina algo digno de ser contado?
Junto ao rio devorei encontros não planeados e a vida tornou-se um sorriso.
Já sentia o cheiro a maresia.
Perdeu-se o chamamento da ordem.
Seguimos, vivos, para o cemitério vizinho.
Duas mãos.
Falas sempre tão baixinho.
A lagarta da Alice podia aparecer e falava ao telefone.
Merda! Já é tarde.
Pessoas andavam com as suas vidas às costas.
De molas nos pés.
Deu por si sentado a olhar-se ao espelho.
Sabia dos sentimentos.
Vestiu-se e pegou no telefone.
E então? É por isto?



Quinze citações, uma de cada texto deste Lápis Desafiado 1.
Quinze formas de dar forma a um desafio inicial.
Quinze não escritores que desafiam a sua não condição e escrevem com a condição de respeitarem o desafio.

Quinze de Maio. O Lápis Desafiado 1 é lançado, lido e, no fim, desafiam-se os presentes a descobrirem qual o desafio inicial. Se tiveres um eurito, levas um exemplar. E diz que há chá e bolos.

leituras partilhadas na biblioteca

, 27 março 21h00 entrada livre

















Leituras partilhadas de:
Os princípios da Novilíngua, de George Orwell

Todo o pensamento está intimamente ligado às palavras, quando o verbalizamos (quer pela fala, quer pela escrita) estamos a dar passos de gigantes para o seu crescimento. Assim, a língua deve ser sempre tomada de assalto para evitar que nos toldem o pensamento!

Temos assistido gradualmente a uma espécie de «limpeza» lexical que participa na re-escrita da História do nosso mundo. Os exemplos estão à vista no longo, tortuoso e genocida percurso da humanidade. No contexto português, basta lembrar os momentos mais horrendos da História e mais recentemente as reformulações feitas no campo das denominações laborais, basta ouvirmos as batalhas entre puristas conservadores e puristas criadores da língua, basta estarmos atentos aos vocábulos utilizados nos media, nos discursos dos dirigentes dos estados, basta ver o empobrecimento geral e programado a nível das políticas educativas da língua que falamos e partilhamos. 

A língua pertence aos falantes de uma língua. Ela cresce e re-cria-se no acto da fala. Utilizá-la e conhecê-la é a melhor maneira de a actualizar com vocábulos antigos ou neologismo que descrevem o nosso pensar. É um trabalho individual para partilhar com palavras.

Inebriemo-nos de palavras!








O texto de Palavras ao Alto, Os princípios da Novilíngua, foi escrito em anexo a uma narrativa de ficção distópica e de certo modo visionária, intitulada 1984 por George Orwell, pseudónimo de Eric Arthur Blair (1903-1950), escritor e jornalista inglês. O romance 1984 foi escrito em 1948 (daí o título com os 2 últimos dígitos invertidos) e publicado em Londres em 1949. Conta a história de Winston Smith que trabalha no ministério da verdade, onde participa na re-escrita da história e da língua. Mas, W. Smith apaixona-se por Julia e vai questionar o mundo onde vive...  

1984 denuncia o totalitarismo com base nos dois «ingredientes» fundadores das sociedades: a história e a linguagem. A sociedade totalitária descrita em 1984 põe em cena Big Brother, o chefe supremo do partido SOCING, presente em toda a parte através das múltiplas «teletelas» que observam e controlam todos os habitantes de Londres (que neste romance é uma região da Oceânia). 

Os lemas que regem este mundo são os seguintes: A guerra é a paz, A liberdade é a escravatura, A ignorância é a força. Nesta sociedade promove-se a delação, o ódio e desaconselha-se a amizade e o amor. O partido supremo trabalha na formulação de uma nova língua (daí Novilíngua) para erradicar o «crime pelo pensamento», procedendo à eliminação das palavras que possam permitir um pensamento contrário, portanto há palavras banidas, eliminadas do vocabulário para dar lugar a outras palavras mais adequadas para manter a população sobre controlo. 

Neste breve texto Os princípios da Novilíngua G. Orwell explica como é que esta nova língua funciona e qual o seu objectivo. «A novilíngua foi concebida não para aumentar, mas para restringir o campo do pensamento, propósito indirectamente servido pela redução ao mínimo da gama das palavras.»

livro do mês de fevereiro

Porque um livro também respira, a Biblioteca da CasaViva destaca um livro mensal. Este mês, fevereiro 2013, saltou de uma prateleira A Metafísica do Amor, de Schopenhauer

A propósito surgiu a ideia de realizar um debate, que parte do desafio prévio a todxs para pensarmos nas diversas visões do conceito de Amor, no âmbito da filosofia, cinema, literatura, artes plásticas, música, teatro, comédia, experiências pessoais, etc..

, 28 fevereiro 21h30 entrada livre

Apresentação do livro A Metafísica do Amor, de Schopenhauer, e conversa sobre a tese central do autor (o amor como impulso sexual baseado na vontade de vida da espécie).

A partir daqui, pretende-se alargar a discussão, com as pessoas presentes a introduzirem outras perspectivas sobre o conceito de Amor, apoiadas em vários suportes, como poemas ou canções, excertos de filmes, imagens ou fotografias, livros ou histórias, teses ou tratados filosóficos, entre outras possibilidades.

No final, se possível, promover um choque de ideias que pode servir para perceber melhor as diferentes formas de relações existentes entre pessoas que partilham os mesmos sentimentos, de maneiras diferentes ou semelhantes.


A Metafísica do Amor
Schopenhauer
Coisas de Ler Edições
2006

Se o amor é uma realidade e ninguém dúvida da sua importância, porque será que é um objecto tão descurado pelos filósofos? É com esta questão que Schopenhauer inicia a sua tentativa de definição de amor. Tal como os poetas não prescindem deste tema nas suas obras, a filosofia também deve reflectir sobre este assunto sem simplismos nem preconceitos.

O amor, afirma Schopenhauer, é o impulso sexual baseado na vontade de vida da espécie. Sem esta vontade, os humanos, carregados de egoísmos, não se aproximariam do sexo oposto para procriar e, assim, a espécie humana estaria condenada à extinção. 

Desta forma é derrubada a noção romântica de amor, onde o sofrimento e a tormenta, ou a paixão e o deleite, são manifestações de um desejo inconsciente, um ímpeto irresistível, que é o instinto procriador. Não existe amor sem sexualidade, e a felicidade suprema é o bem da espécie, pois o que está em jogo é a sua sobrevivência.

O amor não é algo romântico, mas sim uma ilusão, onde somos escravos inconscientes da natureza quando julgamos que estamos a tentar satisfazer os nossos desejos particulares. 

A busca apaixonada pela beleza não se refere ao gosto pessoal de homens e mulheres, mas à verdadeira finalidade da sua aproximação, o novo ser. Na medida em que nos apaixonamos, nós desejamos as qualidades presentes no sexo oposto, as quais farão parte da nossa futura cria; além disso, não iremos desejar aqueles ou aquelas que não nos podem dar frutos e também não desejaremos aqueles ou aquelas que nos darão frutos que não corresponderão com as nossas expectativas de beleza e de vivacidade.

Portanto, o amor é baseado numa vontade maior do que a nossa, a vontade da espécie, o esplendor máximo da vontade individual. Esta vontade de viver faz com que demos valor à nossa existência e aspiremos à longevidade da espécie, é um desejo metafísico de prolongar a essência comum a todos os indivíduos. 

livro do mês de janeiro

De uma das suas prateleiras, a Biblioteca da CasaViva destaca um livro mensal. E a propósito pretende animar leituras colectivas, debates, conversas com autores. Porque um livro também respira.

3ª. 29 janeiro 21h30

Este mês, janeiro 2013, o livro que saltou da prateleira é de um amigo da casa: A.P. Ribeiro. Alinhou num serão de letra, dia 29, às 21h30. Traz Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller. Falará de mercados, terá outras conversas. Título do livro:

"Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, 
os mercados e outras conversas", de A.P. Ribeiro


A.P. Ribeiro é um poeta/escritor já bem conhecido da CasaViva. A cada verso seu que passa, o espírito crítico do ouvinte é aguçado e, de novo, surpreendido, revelando-se ora num sorriso mais tímido ora numa gargalhada "dionisíaca". Agora, em forma de "prosa num tom profético", como o próprio autor reclama, traz-nos "Nietzsche, Jim Morrison, Henry Miller, os mercados e outras conversas".

Recorrendo aqui e ali a citações destes e doutros autores, é com uma agradável sensação de ritmo e cadência, à semelhança de um poema, que percorremos as folhas e as letras deste livro. Temos total liberdade de o fazer a partir do meio, de trás para a frente, ou simplesmente porque hoje o livro se abriu nesta página. Os diferentes e inúmeros textos vivem bem sós, mas também se complementam.

Se em "os mercados" encontramos um forte espírito crítico à sociedade consumista e ao sistema capitalista em que o mundo está absorvido; uma reflexão contundente sobre a vida, a ideia de liberdade, de escravidão, de mercados e capitais opressores...; é em  "e outras conversas" que percebemos melhor quem é A.P. Ribeiro e como lida com os aspectos presentes em "os mercados". Esta separação é feita mentalmente, dado que o livro não a apresenta fisicamente.

Uma compilação de escritos que saíram principalmente no "A Voz da Póvoa", uma mensagem que se pretende passar, em forma de missão, e que é perceptível logo que o começamos a folhear. Salta à vista esse tom profético e faz lembrar, em parte, o último livro do padre Mário de Oliveira, "O Livro dos SALMOS, Versão Terceiro Milénio, Também Para Ateus", que foi apresentado recentemente na casaviva.

Não se é, por isso, surpreendido quando, no meio de alguns textos, se encontra a referência ao Jesus do padre Mário ou a alguns dos seus livros ou principais aspectos.

Aconselha-se vivamente esta leitura, mais não seja para percebermos que não estamos sós e que há mais gente que quer uma revolução contra a religião do capitalismo e o seu respectivo Deus, o dinheiro.

Palavras ao Alto... de Max Aub

, 27 dezembro 21h30 entrada livre

Leituras partilhadas na Biblioteca da CasaViva

"Crimes Exemplares", de Max Aub

Max Aub nasceu em Paris em 1903, filho de pai alemão e de mãe francesa. Mudou-se para Valência em 1914, tendo adoptado o castelhano como língua de criação. Viveu, depois e durante 30 anos, no México, onde morreu em 1972. Novelista e dramaturgo, cultivou também a poesia e o ensaio. É autor de mais de 40 títulos, entre os quais "El Laberinto Mágico" e "La Gallina Ciega".

Como resposta à questão "porque é que mataste aquela pessoa", o autor recolheu dezenas de confissões, ao longo de mais de 20 anos, em Espanha, França e no México. deixamo-vos uma delas para abrir o apetite:

Matei-o porque me doía a cabeça. E ele veio falar-me, sem descanso, de coisas para que eu me estava absolutamente nas tintas. É a verdade, embora elas talvez me tivessem podido interessar. Antes de o fazer olhei, ostensivamente, seis vezes para o relógio, ele não ligou nenhuma. Creio, no entanto, que é uma circunstância atenuante que deveria ser seriamente tida em conta.

biblioteca recebe putas à moda do porto

, 18 dezembro 21h30 entrada livre



























De uma das suas prateleiras, a Biblioteca da CasaViva destacará um livro mensal. Leituras colectivas, debates, conversas com autores serão algumas das actividades que nos propomos animar a propósito do objecto livro escolhido. Porque um livro também respira.

"Putas à Moda do Porto", de Raul Simões Pinto, é o livro de dezembro... um ensaio vadio sobre o putedo da Invicta.

Esta 3ª feira teremos na biblioteca uma conversa penetrante com o autor.

Em jeito de apresentação:

Putas à moda do Porto
Raul Simões Pinto
Edições Mortas
Ano 2001

Uma viagem profundamente penetrante à Cona da Mãe Street

Sem qualquer pretensão a ser uma obra literária ou académica, o facto é que este Putas à Moda do Porto é um verdadeiro ensaio sobre o putedo da Invicta e tudo o que lhe está relacionado. Vadio, é certo, mas com um conteúdo narrativo que vai para além de um simples guia das melhores e piores putas, das melhores e piores “casas de tia”, dos melhores e piores azeiteiros da cidade do Porto.

O autor desenvolve ao longo de todo o texto a relação intrínseca entre o putedo e o resto da sociedade. Escrito no ano em que o Porto é Capital Europeia da Cultura, é impossível separar os buracos das putas com os buracos da capital e não comparar os fodilhões de umas com os fodilhões da capital - e do capital.

Somos também confrontados em todo o texto com as razões de se ser puta. Da necessidade de alimentar o vício da “heroa”, à necessidade de alimentar o vício do azeiteiro, passando pelo vício de se viver acima das possibilidades financeiras que um mero emprego pode proporcionar. E somos confrontados com a proposta de regulamentação da profissão e respectivos locais de trabalho. Estamos portanto bem longe de uma simples crónica de quem, como, quando e onde se pode foder a troco de dinheiro.
Duas coisas concluí desta leitura, há putas para todos os gostos, dependendo do “prato” preferido e um filho da puta não é necessariamente o primogénito de uma puta.

De um escritor tripeiro.
Com uma linguagem tripeira.
De umas edições tripeiras.

Reabertura Biblioteca | Palavras ao Alto

3ª, 27 novembro 21h30 entrada livre
















A Biblioteca da CasaViva abre as portas para novas aventuras ao sabor de propostas de toda a comunidade. Entre saberes partilhados, dizeres «vozeados», fazeres encantados e pensares construtivos, as actividades prevêem leituras, cinema, origami, oficinas, cargobike itinerante e muitas mais surpresas! 

A viagem começa, a 27 de Novembro às 21h30, com «Palavras ao Alto» em que vamos partilhar as sensações da leitura a várias vozes descobrindo uma entre muitas pequenas iguarias literárias: «Os diários de Adão e Eva» de Mark Twain (1839-1910), autodidacta, viajante e homem de acção, famoso autor das Aventuras de Tom Sawyer e de Huckleberry Finn. 

No campo da ficção, todos temos uma ideia da história de Adão e Eva, mas, agora que se «tornaram figuras públicas suficientemente relevantes», faz sentido acompanhar a tradução dos diários elaborada por Mark Twain. Veremos como numa segunda-feira Adão descobre o que então chama «o novo ser». Acompanharemos o momento crucial da maçã sacrificada ao estômago faminto. Descobriremos os projectos de tenebrosas experiências de Adão para, mais tarde, descobrir o que virão a ser os seus filhos, entre outros momentos cheios de uma sabedoria lúdica. 

Além do texto ser curto, de leitura agradável e divertida, reencontraremos questões primordiais apresentadas de uma forma muito simples, mas contendo as dimensões da complexidade. Trata-se da questão da língua, da primeira palavra, de quem deu nome às coisas... Trata-se também da relação entre seres, da sua distância, aceitação e proximidade.

Deixamo-vos este «ante-sabor» com a entrada de sexta-feira no diário: 
«Ela diz que a serpente a aconselha a provar o fruto da árvore e diz que daí vai resultar uma grande e bela e nobre educação. Eu disse-lhe que também haveria outra consequência: que isso introduziria a Morte no mundo. Isto foi um erro, mais valia ter ficado calado. Só serviu para lhe dar uma ideia: ela podia salvar o bútio doente e arranjar carne fresca para os desalentados leões e tigres.
Pelo meu lado aconselhei-a a manter-se afastada da árvore.
Ela disse que não.
Acho que vai haver problemas.
Vou emigrar.»

A Biblioteca está viva



Os livros querem-se públicos. Para usufruto e carinho de qualquer pessoa. E livres, também. Para irem com quem os pretenda ler. Mas as letras teimam em não se deixar prender ao papel, elas que também querem ser voz, música, imagens, pensamento.

A Biblioteca da CasaViva está aberta. Para ler, ver, ouvir, pensar, requisitar ou participar. E aceita livros, principalmente aqueles que consideres suficientemente bons para serem comuns.

Horário em programação da CasaViva