sábado, 18 maio 20h00 entrada livre
Noite solidária com o movimento No MOUS em luta contra a base da NATO instalada na Sicília.
20h00 jantar benefit No MOUS.
21h30 sessão informativa, com a presença de um activista do movimento.
O MUOS é mais um de muitos projectos
militares criados em território italiano; contra a saúde, a vontade
e o respeito pela população. Mesmo em 2012, é ainda a guerra que
faz de patroa.
Desde há algum tempo que em Niscemi,
aldeia da província de Caltanissetta, na qual vivem cerca de 30 mil
pessoas, que se verificam coisas que são dignas de nota. Não apenas
porque se trata da nossa região, do local onde nascemos e crescemos
e em que as nossas famílias vivem, mas porque acreditamos que é
nosso dever denunciar que neste local, um pouco perdido, como vista
para a planície de Gela, um número bem grande pessoas está – há
algum tempo – a travar uma corajosa batalha para defender o seu
próprio território daquilo que consideram ser uma abuso
inaceitável: a construção do MUOS.
O que é o MUOS? Acrónimo de Mobile
User Objective System, é um sistema integrado de telecomunicações
satélites desenvolvido pela marinha militar estado-unidense, dotado
de cinco satélites geoestacionários e quatro estações terrestres.
Qualquer uma destas estações apresenta três grandes parabólicas
com um diâmetro de 18,4 metros e duas grandes antenas de 149 metros
de banda UHF. Esse sistema será utilizado para coordenar de forma
minuciosa todos os sistemas militares estado-unidenses dispersos pelo
globo, em particular drones (aviões sem piloto) e submarinos.
O
programa MUOS, gerido pelo departamento de defesa do Estados Unidos,
está ainda em fase de desenvolvimento e prevê-se que os
satélites entrem em órbita em 2015; neste momento estão
construídas três estações terrestres, instaladas na Virgínia, na
ilha do Hawai e na Austrália, todas dispersas por zonas desérticas.
Só a que está projectada para a Sicília será instalada num zona
bastante próxima de áreas habitadas, de modo que irá afectar não
só a população de Niscemi – que se encontra a apenas um par de
quilómetros da base em linha recta – mas também das vilas
vizinhas (Vittoria, Comiso, Gela, Caltagirone, Acate).
Deve
também ser dito que a base militar americana NRTF-8 (Naval Radio
transmitter Facility) de Niscemi, onde será instalada a estação
MUOS, encontra-se operacional desde 1991 e conta já com 41 antenas
com uma potência de emissão na ordem dos 500-2.000 KW. Estudos
baseados em dados recolhidos pela ARPA Sicília afirmam que se
encontra cientificamente provado o receio que a actual instalação
supere os limites da lei imposta para emissões
electromagnéticas.
Outro "detalhe" que torna tudo
ainda mais interessante é o da base militar se encontrar dentro de
uma reserva natural, a Sughereta di Niscemi, um dos poucos parques
naturais com sobreiros em Itália e que conta com uma vegetação
densa e exuberante protegida por leis que proíbem quem quer queseja
de causar danos ou de deturpar a fauna e a flora existentes na área.
No ano 2000, o parque foi inserido na Rede Natura 2000 como sítio de
importância comunitária (sic).
É dentro deste contexto que
nasce o comité NO MUOS de Niscemi, que nos últimos dois anos
juntaram, multiplicando-se, pessoas das vilas vizinhas e de outras
realidades associativas sensíveis à questão. Desde logo, o comité
No MUOS exprimiu fortíssimas preocupações em relação
às consequências que a instalação deste "EcoMUOStro"
(ecomonstro) poderia trazer, acima de tudo, para a saúde humana, para
o ecossistema de Sughereta e para a qualidade dos produtos agrícolas.
Segundo pesquisas médicas oficiais
(ver, a propósito, a relação entre análises de risco dos Prof.
Massimo Zucchetti e Massimo Coraddu), os campos electromagnéticos
produzidos poderão interferir com qualquer equipamento electrónico,
com by-passes, cadeiras de rodas, pacemakers, mesmo a uma distância de 140
quilómetros. Entre os efeitos mais comuns para a saúde humana estão
indicados os deslocamentos de retina, as cataratas, o risco de
esterilidade e a formação de tumores. Infelizmente, a incidência
de tumores é em geral mais elevada entre as crianças, sobretudo
em relação ao aparecimento de leucemias.
Desde há mais de 4
meses que os activistas do comité No MUOS e as pessoas locais vigiam
dia e noite a estrada de entrada da base, procurando fechar de forma
física a entrada dos trabalhadores contratados para a construçãodo
MUOS, com bloqueios removidos continuamente pela polícia de forma
violenta. Nalgumas cidades da Sicília e de Itália nasceram comités
de apoio a esta luta popular. Composta por várias pessoas, desde
mães a crianças, idosos e activistas, a 30 de Março houve uma
manifestação em Niscemi que juntou cerca de 15.000 pessoas em volta
da base para demonstrarem a sua discórdia em relação a esta obra
de morte.
Graças às mobilizações, foi conseguida uma
revogação dos trabalhos, que nunca foi efectivamente respeitada,
daí que as vigias continuem com acções directas contra a base. A
22 de Março, 4 activistas entraram na base americana e subiram a 4
antenas NRTF tentando sabotá-las, tendo descido dali depois de umas
poucas horas.
A luta No MUOS é uma luta anti-militarista
contra o imperialismo americano e a guerra e pela soberania popular,
que tem como objectivo a desmilitarização da reserva natural do
bosque de sobreiros da Sícilia e do mundo inteiro.
Dessa forma, iremos apresentar o
despertar desta luta através de fotos e vídeos, com a intenção de
informar o mais possível as pessoas sobre este processo de
destruição e sobre a luta em curso que se junta a outras lutas pela
salvaguarda do território como a do No TAV, tentando criar uma
frente de resistência popular contra a devastação
ambiental.
Um activista do movimento No MUOS