Montras, um Porto emparedado + Feira (A)normal de Artesanato

6ª, 4 abril 21h00 entrada livre


 












Inauguração de exposição de fotografias de Olga Santos

A invicta derrotada por invasores não nomeados. Ao passear pelas ruas sinto-me turista na cidade onde nasci. As montras emparedadas de um comércio que já deu vida à cidade transformam-se em lojas gourmet, artesanato urbano e restaurantes turísticos invisíveis aos olhos dos moradores. A CRISE está espelhada em todas as ruas que percorri, em todas as montras que já só vendem notícias ressequidas de promessas eleitorais.

Fotografias tiradas durante os meses de Fevereiro e Março de 2014, nas Ruas de Santa Catarina, Sá da Bandeira, Rua das Flores, Rua de Ceuta, Rua da Fábrica, Rua do Almada, Sampaio Bruno, Largo dos Lóios, Rua de José Falcão, Fernandes Tomás e Rua do Bonjardim.

A exposição ficará nas paredes da Casa até fim de Abril. E as fotos estão disponíveis para, se alguém a(s) quiser comprar, ajudar a Casa a pagar o seu IMI.

 
Feira (A)normal de Artesanato

A Feira (A)normal pretende ser uma feira de artesanato diferente por vários motivos:

Porque queremos ter em conta a injustiça do papel do dinheiro nesta sociedade capitalista. E é pensando nisto que neste evento no qual pretendem-se vender peças feitas a mão, não haverá preços impostos, mas sim um diálogo entre o critério dx criador/a e x possível comprador/a para arranjar a forma mais justa de pôr um "nome" econômico a coisas feitas com o coração.

Porque parte desse "nome" ajudará à CasaViva a continuar existindo, já que irá destinado a pagar o IMI.

Porque é aberta a todxs xs anormais que quiserem participar :) aceitando as anteriores condições.

Animem-se a participar! Passem a palavra!!!

[Errata] Fora do Eixo chegou até nós

O colectivo CasaViva, em sua carta aberta "O Fora do Eixo chegou até nós", publicada no nosso blog, enviada para colectivos amigos, e republicada pelo Passa Palavra (http://passapalavra.info/2014/03/93053), continha uma informação equivocada:

"O Fora do Eixo recebe entre 3% e 7% de todo o dinheiro anual destinado à área da cultura no Brasil."

Na verdade a informação correcta, segundo as fontes disponíveis, é que o Fora do Eixo recebe de 3% a 7% do seu orçamento próprio via editais públicos. Reconhecemos que o erro foi grosseiro, e pedimos desculpas públicas pelo ocorrido.

Entretanto, graças a esse erro a nossa carta curiosamente despertou a atenção de muita gente, inclusive do líder do Fora do Eixo, Pablo Capilé, que fez referência a ela num post no seu perfil do facebook (www.facebook.com/pablocapile/posts/649814998406564?stream_ref=10).

Ok, Capilé, assumimos o nosso erro.

A pergunta que fazemos agora é: e o Fora do Eixo? Dentre as muitas acusações que fizemos, a única coisa que tem a declarar é isso? Ora, sendo assim, devemos presumir que todas as outras objecções que fizemos às prácticas do Fora do Eixo estão implicitamente assumidas por eles próprios como legítimas, uma vez que, tendo a oportunidade, não se importaram sequer em contestá-las.

Em outras palavras: importa ao Fora do Eixo, na figura de Pablo Capilé, defender-se de uma calúnia relativa à quantidade de dinheiro público que recebe. Mas...

O que tem ele a dizer a respeito do dinheiro que o Fora do Eixo recebe de grandes corporações e bancos privados? 

(bom, até onde se sabe, ele gaba-se: www.facebook.com/pablocapile/posts/649814998406564?stream_ref=10 - a partir de 11:00) 

O que tem ele a dizer a respeito da estrutura hierarquizada da qual ele, naturalmente, ocupa o posto mais alto?
 
O que tem ele a dizer a respeito da remuneração (inexistente) dos artistas que participam nos festivais promovidos pelo Fora do Eixo, mas que revertem em "capital simbólico" que, no final da cadeia, irá gerar mais dinheiro para a empresa em futuras disputas por financiamento?
 
O que tem ele a dizer a respeito das diversas denúncias de assédio moral contidas em relatos de ex-moradores das Casas Fora do Eixo? E sobre o regime exploratório de trabalho dentro dessas Casas? O que tem ele a dizer, sobretudo, a respeito do facto concreto de que o Fora do Eixo vem enfrentando uma enorme rejeição na tentativa de estender seus tentáculos na direção de Portugal e Galiza? Rejeição à qual, diga-se de passagem, o Fora do Eixo vem tentando driblar escondendo sua marca e se camuflando sob novos nomes.

Vindo de Capilé e seus defensores, o silêncio a respeito dessas questões é eloqüente.

O debate acumulado no Brasil em torno do Fora do Eixo e a sua experiência já deixou muito claro de qual lado esse tipo de iniciativa está, e desde aqui queremos reforçar que nós não estamos desse lado.

Acreditamos que a nossa actuação política (seja ela na área da arte e da cultura, ou seja ela na educação, agricultura, moradia, trabalho, etc.) jamais será REALMENTE transformadora se não for também uma luta ANTI-CAPITALISTA. E a todos os colectivos da região que também acreditam nisso, reforçamos o nosso apelo a que digam NÃO ao Fora do Eixo e ao seu modelo de cooptação das forças locais.

abril 2014, CasaViva

"Aqui Não Jaz João César Monteiro" - 5ª sessão

2ª, 31 março 21h45 entrada livre
Vai e Vem, 2003 (english subtitles)
 


 











João Vuvu, viúvo, sem família, à excepção de um filho que se encontra a cumprir pena de prisão por duplo homicídio e assalto a um banco à mão armada, vive sozinho em casa própria, ampla, soalheira e indiciadora de apreciável abastança, num bairro antigo de Lisboa, situado no sopé do Monte Olivete. Pouco ou nada sociável, o senhor João Vuvu efectua diariamente o seu passeio no autocarro nº 100, repetindo infatigavelmente o mesmo trajecto: no sentido ascendente entre a praça das flores e o jardim do Príncipe Real e, no sentido descendente, até ao ponto de partida e subsequente regresso a casa.

O último filme de João César Monteiro, é a obra mais biográfica do autor. Nele, João César desmonta o seu próprio cinema para depois o voltar a refazer, autocritica-se e expõe-se emocionalmente. E fá-lo sempre na presença daqueles que dele se alimentaram, o público, o tal que João César Monteiro, um dia, quis que se fodesse. Um dos maiores filmes do cinema contemporâneo.

É efectivamente uma despedida em forma de frames, e de sorrisos em esguelha, e de humor negro quase “nosferatus”, e de tristeza enraivecida, e de tempo cíclico, e de radical critica à sociedade, e de ternura sincera. E tudo é uno num olhar azul, final, que nos convida a sermos João César Monteiro com o próprio, no próprio.

É um abraço azul, enorme, quase sufocante, que João César Monteiro nos oferece na despedida. Isso e toda a sua obra.

Leitura ajantarada a 3 vozes

6ª, 28 março 20h00 entrada livre



 












Uma fonte anónima e inédita conta que um dia darwinistas, maltusianos e sociólogos foram convidados à mesa de homens poderosos, capitalistas e proprietários, a nata da sociedade de então. Quando chegaram já embriagados de tanta ciência, embebedaram-se de poder. Nessa famosa noite de luxúria educada, num momento de loucura, estipularam que a lei do mais forte e a competição são a regra da natureza. Nessa noite configuraram as relações de poder que ainda hoje nos assolam.

Pois, vejam bem, foi preciso relermos Kropotkine para ficarmos a saber que FOMOS ENGANADAS! A LEI DO MAIS FORTE NÃO É, NUNCA FOI A REGRA!
Venham descobrir os pormenores desta fantástica história que passa pela vida das formigas, dos pássaros, dos ratos, dos coelhos e das lebres...

Se não puderem aparecer, sempre podem pôr os ouvidinhos colados à melhor rádio cá da tasca!

“O MISTÉRIO DO COISO e outras histórias" de Thomas Bakk

6ª, 21 março 21h30 entrada livre 



Um espetáculo de contos da autoria de Thomas Bakk, Contautor. Autor e Contador de histórias, tem livros publicados e peças encenadas em Portugal, Brasil e Angola. Formado em Arte Dramática e com um longo percurso como artista performativo, volta à Casa Viva para uma única apresentação do espetáculo que já foi visto por milhares de pessoas em todo o país. As histórias são contadas pelo próprio autor que narra e interpreta várias personagens, utilizando o Teatro e a Música, num espectáculo despojado e bem-humorado. Os mais hilariantes contos jocosos, da fábula ao realismo fantástico, que levará o público do riso às lágrimas. 

Duração: 60 minutos Público-alvo: Adulto

https://www.facebook.com/Contautor

Poesia na casa

4ª, 19 março 21h30 entrada livre


 










Tu que te dizes homem! Tu, que te alfaiatas em modas e fazes cartazes dos fatos que vestes pra que se não vejam as nódoas de baixo!” Começando com “A Cena do Ódio” de Almada Negreiros, ou com outro poema qualquer, vamos ler poesia satírica, de escárnio e maldizer, que vontade não falta de partir tudo, neste caso só com palavras. Tragam poemas para ler, ouvir e partilhar que outros vos esperam.

Se não puderes aparecer, ouve na Rádio CasaViva (radiocv . punked . us)

Kesta Merda?! Tertúlias sobre a actualidade

, 18 março 21h30 entrada livre



















Quase todos os dias somos brindados com pérolas informativas que nos fazem soltar um grande "Kesta Merda!", seguido de uma vontade voraz de debatê-las e dissecá-las até às entranhas. Aqui entra a CasaViva, onde todos os temas são importantes e qualquer assunto pode ser desmontado.

Basicamente de duas em duas semanas, entre copos e petiscos (se alguém chegar com eles), cada um traz as actualidades que mais o tocaram, intrigaram e pasmaram, para conversar sobre elas com quem estiver por lá. Porque pensar em conjunto abre sempre mais portas. 

Se não puderes vir, sintoniza a Rádio CasaViva.  

ciclo cinema: "Aqui Não Jaz João César Monteiro" - 3ª sessão

2ª, 17 março 21h45 entrada livre
O Último Mergulho 1992 [87'55''] 
(english subtitles) 

O que o jovem Samuel fazia àquela hora da noite, no cais deserto, nunca se saberá ao certo. De facto, quando o senhor Elói - um velho marinheiro reformado - o abordou, ele olhava fixamente as águas do Tejo. Cansado que estava dos seus dias, Elói não podia deduzir de outro modo: Samuel estava ali para pôr cobro à vida...

“Por acaso, escrevo sobre O Último Mergulho no dia em que a imprensa portuguesa publicou as primeiras críticas aos dois primeiros filmes (“O Ar” e “O Fogo”) da série “Os Quatro Elementos” em que João César Monteiro se atirou à Água. Foi uma encomenda da Televisão Portuguesa, depois de uma proposta de Paulo Branco. Os críticos que hoje leio espantam-se (alguns, virtuosamente, indignam-se) que os autores dos episódios já estreados (João Botelho e Joaquim Pinto) se tenham esquecido que estavam a fazer tele-cinema e não cinema. Ainda não vi os ditos filmes. Mas, se tiverem razão, benza-os Deus. Deus, que abençoou certeiramente O Último Mergulho, que é só cinema, todo o cinema e nada mais do que o cinema. César Monteiro não esqueceu a televisão ou (como é que dizem?) o visual. Pelo contrário, muito alembrado deles, virou-lhes as costas. Onde queriam chegadinho, ficou longe. Onde queriam longe, ficou chegadinho. Inventou as distâncias. O cinema é a arte dessa invenção. E é possível ouvir as citações finais do Hyperion - uma em francês, outra em português - como manifestos estéticos, brados guerreiros sobre o cinema e pelo cinema. “Não deixar que a guerra se arraste, por amor à paz”. “Esta terra coberta de luto, desnudada, que eu tanto queria vestir de bosques sagrados e adornar com todas as flores da vida grega” é também a terra pilhada do cinema, em 1992. É também, mas não é só. Como O Último Mergulho é também, mas não é só, um canto fúnebre. O Último Mergulho é um filme sobre o Cinema e sobre Portugal. Como todos os filmes anteriores de João César Monteiro. Este só talvez seja o mais raivoso. Mas tropeço na ternura e tenho menos certezas.”

por João Benárd da Costa em A Muda

ficha técnica


Próximas sessões:
24/3 4ª sessão - Branca de Neve 2000 [72'31'']
31/3 5ª sessão - Vai e Vem 2003