Cinemorfes

Quarta, 15 de Outubro, 19:00, entrada livre





Febre do Rato (2011)
Drama
110 minutos
Portugês (Brasil), leg. inglês
Realizador: Cláudio Assis

Se queres um filme que apenas confirme e reproduza a tua visão de mundo, Febre do Rato não é para ti. Se estás disposto a ver um filme, em que 70% do que é dito nele é subversivo e abstracto, sob a forma de poesia, sem ser chato, então puxa de uma cadeira e aprecia.

Febre do rato é uma expressão típica do Recife que designa alguém que está fora de controle, que está ''danado''. Febre do Rato (2012) pode ser definido nesta expressão, o filme é um descontrole total da ordem vigente, o caos dos bons costumes dito pela hipocrisia, a poesia dos puros de espírito que não foram contaminados pela a falta de originalidade e empatia, um filme que tem a mais bela e imaculada filosofia anárquica como um estilo de vida. 


A anarquia é liberdade, é o direito de errar usado na sua mais alta performance, é o pensamento em colectividade com o objectivo de se criar um mundo perfeito para todos, sem diferenças e com muito amor, é a mais pura e perfeita utopia, por isso ela é perigosa e por isso o seu conceito é deturpado.

Zizo (brilhantemente interpretado por Irandhir Santos) é o editor, curador, produtor, patrocinador e escritor do jornal político anarquista que ele chama de ''Febre do Rato''. Zizo é um poeta que é o porta-voz dos que são marginalizados pela sociedade e pelo governo, um rebelde inconformado com todo este sistema que nutre poucos e oprime a muitos, e com todo o conformismo dos injustiçados e subjugados que não se organizam e se rebelam. 


Ele criou um mundo onde a sua religião é o seu sarcasmo perante o sistema, o mangue e as favelas são sua igreja e ele é o profeta do apocalipse.
Terça, 14 de Outubro, 21:00, entrada livre




Desobesistir: do manual ao automático
 

(Leitura comentada do "Manual de Resistência Civil", de Pedro Bravo)

Leitura das primeiras páginas do Manual de Desobediência Civil, livro de Pedro Bravo, publicado este ano, pela Letra Livre.

Pelo meio, discussões baseadas em conceitos e situações concretas, para análise dos nossos direitos e do comportamento habitual das forças de imposição da ordem.

Ler e conversar até que a consciência do que podemos e não podemos nos liberte da submissão com que, normalmente, encaramos a polícia, automatizando respostas e comportamentos. 


Pelo meio, surpresas de pêra, porque a desobediência e a resistência devem ser acompanhadas por fruta da época. Dizem os melhores médicos.

Oficina de balões

Segunda, 13 de Outubro, 19:30, entrada livre



O GT-BDS-Norte junta-se para os últimos preparativos da performance checkpoint e a preparação dos últimos detalhes: folhetos, balões, tinta, caixas de papelão...mas como todo o activismo artístico-político requer estarmos bem alimentados, haverá preparação de uma janta colectiva às 19:30.


Se tiveres com fome aparece para descascar legumes, senão traz marcadores, balões, tinta, etc. vem para escolheres o teu papel!

Cinemorfes - Best in Show

4ª feira, 8 de Outubro, 19h00 - Entrada Livre



Será um documentário ficcionado capaz de retratar com precisão o absurdo da vida humana? Poderá um falso realismo fazer-nos chegar ao incómodo da verdade? Bem, cada pessoa terá a sua opinião e não temos nada a ver com isso. Nós apenas exibimos o filme Best in Show e tratamos do tacho. Haverá sátira, legumes para cortar, momentos rídiculos, cerveja, conversas à mesa e sofás confortáveis.

Best in Show (2000), de Cristhopher Guest  [90´], leg. Português

Best in Show é um “mockumentary” sobre o mundo das exposições caninas em que os seres humanos exibem ao mesmo tempo as suas vaidades e fragilidades. Sob os efeitos do absurdo e do improviso, o filme simula aspectos da natureza humana, demonstrando que, afinal, quem passeia de forma ostensiva animais com trelas transforma-se no principal objecto da avaliação.

Concerto - Produtora Witchcraft Bookings

Sexta, 3 Outubro, 18:00 - Entrada Livre


Cinemorfes - Los lunes al sol

Quarta, 1 Outubro, 19:00 - Entrada Livre


Com a bolha de bem estar do capitalismo fofinho ainda estável, Fernando León, com este filme, antecipou-se em vários anos àquilo que hoje é recorrente e que veio a agravar com uma tal de "crise" finaceira.

Los lunes al sol (2002)

Comédia/Drama
113 minutos
Espanhol, leg. português ou inglês


Uma cidade costeira no norte de Espanha que há muito virou costas ao campo e rodeou-se de indústrias que a fizeram crescer desproporcionada, aos solavancos, alimentando-a de imigrantes e trabalhadores e desenhando-lhe um horizonte de chaminés, arestas e esperanças, de futuros desenraizados. 


Um grupo de homens percorre dia-a-dia as suas ruas íngremes, em busca de saídas de emergência para a vida. Trapezistas de fim de mês e de início de mês também, trapezistas sem rede e sem público, sem aplausos no final que atravessam diariamente a corda bamba do trabalho precário, que aparam a existência com andaimes de esperança e fazem das suas poucas alegrias trincheira, conversa, rotina, como se não fosse seu o naufrágio com que cada dia se debatem. 

Tudo isto enquanto falam da suas coisas e se riem, de tudo e de nada em especial, esperançosos, tranquilos, numa manhã de Segunda-feira ao sol...